Diário de um poeta

Aqui, onde os sonhos possuem as madrugadas e seguem em frente no arrepio do destino destes poemas de amor. Fica comigo, porque estou contigo poemando-te. Se por acaso eu não estiver, sabe que sempre estou e te estou. Sou uma vertigem no-em-ti.

sexta-feira, junho 30, 2006

Ser-te


Espanto-me
Dentro de ti
Nesta líquida
Oceânica
Sensação
De ser-te

Ó sonho índico!


Ó bela mulher
Dançarina de tufo
Ó mulher de
Tantas culturas
Tanto sangue
Diverso uno
Que te esgueiras
Noite dentro
Litoral doce
Coqueiro atento
Lenta primeiro
Rápida
De madrugada
Ó mulher de
Adágio lento
À tarde
Allegro vivo
De madrugada
No compasso
Entorpecente
MexequeMexe
Dos tambores
Ó mulher do tufo
Ó mulher de
Lenço branco
Na mão
Capulana fina
Musiro protector
Ó bela mulher!
Ó sonho índico!

quinta-feira, junho 29, 2006

Enseada



Eu sou oceano
Tu és a enseada
Índico te amo
Doce, terna fada

Foz de ti


É justamente
à entrada
dos teus seios
corolas da noite
que me abrigo
e faço âncora
o desejo de ti
foz de ti

Cartas de amor


Sem cartas de amor não podemos viver, dizes-me. Cartas de amor? Para quê escrever cartas de amor se podemos ter o amor sem cartas? Amor, amor não se escreve, faz-se. Mesmo assim, dizes! Quero cartas de amor porque cartas também são amor, insistes, são carne de nós, cana-doce de nós. Mas quem te disse que não te escrevo cartas de amor quando amor contigo faço, página a página, frase a frase, letra a letra, tu a tu em-ti-mim? Mas afinal, minha noite sem perímetro, meu rio sem foz, por que não nos escrevemos cartas de amor?

Parto de mim


Ó tu
Parto de mim
Óvulo do amanhã!

Que nos somos

Com os lábios
te folheio
o ventre doce
teu destino
de seres
quem habita
a minha alma
e é assim
no zénite
de nós
opressos
e finais
que nos somos
encostados
ao horizonte
inventam as abelhas o pólen
beijam as rolas o nascer o dia

Almadia bendita

Tantas, tantas vezes te procurei com todo o meu ser
Vertigem, horizonte, tu tão espantosamente infinita
Mas vê tu como um pequeno encontro sem querer
Te fez e te faz real aqui nesta nossa almadia bendita

Maré alta

É na maré alta
dos teus seios
que espasmo
o apelo
inexorável
dos sentidos
tensos
como molas

Âncoras de mim

Teus cabelos soltos
Sonhos desfraldados
Almas de ti
Âncoras de mim

terça-feira, junho 27, 2006

Sonhos fluviais

Ó gentes bondosas
Escutai esta saga
O pai do meu rio
É o Deus do canavial
A mãe, a Deusa do húmus
Quando a água do
Zambeze em dor
E espanto e gemido
Galga as margens
É apenas mais um parto
É apenas mais uma prole
Cuja placenta deixa
Aos camponeses
Doces e fecundos
Os nutrientes para
A nova sementeira
dos sonhos fluviais

Savaneira rola

É nesta vertigem total
Razão expulsa
Emoção erecta
Que te beijo
Savaneira rola
E esculpo
Fremente suplicante
As ancas da tua alma
Vá, sê laranja fresca
Não polpa de tamarindo

Pedido

Não sou poeta, sou apenas um amante das palavras. Porém, gostaria de publicar um dia os filhos desse amor, estes “poemas”. Peço-vos, assim, que critiquem o que aqui vos ofereço, está bem? Muito obrigado.

Maria de mim!!!!!!

Ó Maria de mim!
Ó Maria vem!
Buiaalene!!!!!
Os tambores
BumBumBum!!!
BumBumBum!!!
Ó Maria vem
Vem ao batuque
Ó MariaMaria!
Batuca comigo
Isso isso!
Ó Maria
Ó MariaMaria!
Ó meus espíritos!
ÓéÓéÓéÓéÓé!!!
Teus seios
Teu ventre
Tuas nádegas
Tuas pernas
NervoqueNervo
Ó jeito de mamba
Ó salto de gazela
Ó vulcão que arrepia
Ó savana minha
Ó ancas que me ancam!
Teu tudo Maria!!!
ÓéÓéÓéÓéÓé!!!
Dança
Dança
Dança
Meu Deus!
Que sede
Que ânsia
Que tortura!!
Ó MariaMaria!!!
Dança
Dança
Dança
Ahhhhhh!!!!
Meu Deus!
Engrenagem
Loucura
Vertigem
Gemido
Suor
FremequeFreme
Batuca Maria!
MexequeMexe
TremequeTreme
Avançaqu’Avança
RecuaqueRecua
SeioqueSeio
AncaqueAnca
NádegaqueNádega
Aiiiiiiiiiii!!!!
Ufffffffff!!!!
Batuca!
Batuca!
Batuca!
Batuca-me
Batucôôôô!!!!!
Issooooooo!!!!
Agora
Agora
Agora
Uã!ã!ã!ã!!!!!!!!
Ohhhhh!!!!
Ohhhhh!!!!
Ohhhhh!!!!
Mamanô!!!!
Mamanôô!!!
Mamanôôô!!!
Kanimambôôôôo!!!
Maria de mim!!!!!!

segunda-feira, junho 26, 2006

Teu violão

Teu violão, teu condão
Densa, lenta, subtil, tua alma flui doce em cada corda
Vertigem suprema, arrepio da noite

Teu violão, teu condão, meu coração
Deixa-me ser-te o acorde final
Neste exacto e puro momento

Sinfonia-em-ti

Em teu corpo
toco lentamente
cada tecla
desta apetência
sem perímetro
ode sem fim
como o fluir denso
do Zambeze
e pela noite fora
sob o olhar fluvial
dos deuses
e dos espíritos
se ouvem os acordes
rigorosamente belos
natureza pura táctil
desta sinfonia-em-ti

Espreita

Espreita, deita-te neste desejo que te dou
É simples, custa apenas o tempo do sonho
Quando deitada acordares, saberás que vou
Lá onde tu és, lá onde em paixão te ponho

Teu belo ser

No fundo de cada sonho da vertigem
Sempre acabo, finalmente, por entrever
Na polpa de uma doce janela virgem
O que mais amo na vida: o teu belo ser

domingo, junho 25, 2006

Exacto momento

Deita-te dentro de mim
Sente-me na glande
Deste exacto momento

Doce almadia dos meus sonhos

Nesta noite bela profunda tentacular
Dispo madrugadamente a tua capulana
E os meus dedos modelam o teu corpo
Lentos como ondas quentes e cálidas
Cada parte, cada recanto, cada gruta
E cada célula te vou sentindo ânsia
Tensa fremente quente húmida
Gesta crescente do clímax
Proa aguda do nascer do dia

Eis-nos completos doces totais
Tapo-te acaricio-te o sono
Dorme bem eterna amante
Doce almadia dos meus sonhos

Âncora

Sou vento, sou chuva, vou e venho de cada vez
Sou o frémito dos sonhos, o arrepio de cada estar
Mas um bom deus também âncora me fez
E assim acabo sempre por te preferir habitar

Teu ser

Espreito a varanda de cada parte de ti
Indago-te ofegante no limiar do teu ter
E quando, silhueta, tu passas por aqui
Agarro sempre a tua sombra, o teu ser

Doce e permanente

A madrugada está na palma da minha mão
Toma-a, sorve-a, aspira-a, ela é persistente
Mas quando o fizeres, sabe que então
Estarei dentro de ti, doce e permanente

Cedo da vertigem

Quando acordares na margem do sonho
E creio que o farás no cedo da vertigem
Acredita que em ti porei e ponho
Tudo o que desejo e futuro tingem

Sente

Sente como este sonho, rio sem margens, táctil e persistente, acaricia docemente os lóbulos dos teus sentidos e o ventre do teu doce dormir.

Eurídice

Vem minha bela Eurídice
Não temas em teu grácil passo
As quizumbas de Hades liquefiz
Vê toda esta lonjura
Nossa eterna savana
Aqui te posso olhar
Abracemos este sol
Pulsemos esta liberdade
O nosso amor é forte
Como os embondeiros
Minha alma
Minha vertigem
Meu horizonte

Ó espíritos benfazejos
Protegei este sonho
Das micaias da vida

Gomo transgressor

E assim te extraio do horizonte
E te deito dentro de mim
belo gomo transgressor
sumarento e fresco

Alma lhe puxa

Tu mi ama muito
Sim todo dia
Todo noite
Sim, mim saber
Palavra manda
Coraçõ aceita

Mas problema mi amô
É que eu amar seu coraçõ
E você meu dinheiro
Meu amô de cada nota
Minha nota de cada dia

Mas eu esquecer
Palavra manda
Coraçõ aceita
Corpo precisa
Alma lhe puxa

sábado, junho 24, 2006

Vem

Vem
Torna macia a esteira
Deixa-me respirar-te os seios
Na carne dos sentidos
Nos dedos que te percorrem
Nesta tarde juvenil

O sabor do dia nascido

Repara, minha amante, areia da praia que todos os dias fecundo quando as minhas marés se tornam urgentes e tensas, repara minha amante, corola aberta onde na crista de cada momento guardo o pólen dos amplexos sem fim, repara minha amante como até é possível fazer as palavras amarem-se, polpa após polpa, no espanto sem fim dos rins em frémito, do gemido em crescendo quando as noites se retesam e, de repente, trementes, sentem finalmente entre as coxas o sabor quente e sucessivo do dia nascido e, nos seios do horizonte, nas virilhas pacificadas, a carícia húmida do abraço reconciliado e amigo.

Tem amor pátria?

Oh vós outros
Polícias dos costumes
Castradores da humanidade
Dizeis-me que se aqui
Não houver um pilão
Uma palhota
Uma queimada
Um xicuembo
Que isto não é um poema
Que esta não é a nossa
Matapa
Que isto está sem o nosso gosto

Oh vós outros
Polícias dos costumes
Castradores da humanidade
Quem vos disse
Que pilão tem pátria
Palhota dono
Queimada uma só incandescência
Xicuembo um só dono?

Oh, vós outros
Canibais do ser humano
Sabei hoje e aqui
Na vossa fagocitose
Vós, estreitos e estúpidos,
Que somos espigas de milho
Na mesma raça de sonharmos
Tem amor pátria?
Tem beijo tribo?
Tem cópula nação?

Oh vós outros
Assassinos das almas iguais
Artífices das casas fechadas
Sabei
para sempre
Que sou o rizoma
Quente e amigo
De onde brota
Este amor plural
De todas as aldeias
Da mesma humanidade

Côncavo do que sonho

Olha! no côncavo do que sonho
Pergunto-me como te invento no sim
E ao tentar saber onde te ponho
Descubro sempre que dentro de mim

E neste frémito dos dedos
Ao horizontar-te no acontecer
sou tudo menos os medos
Oh!, no espasmo de te pertencer

Útero do momento

Quando na vertigem do tempo
Eu te pintar arrepio e flor
Sabe que no útero do momento
Te moldarei sonho e amor

sexta-feira, junho 23, 2006

Cana-doce

Ó minha cana-doce!
Estou no precipício
Do ponto final
Ó minha cana-doce!
Dá-me a paz
Da vírgula
Da ponte
Ó minha cana-doce!

Amanhã

Vais à machamba?
Que os deuses
protejam
a tua enxada
e agasalhem
O embrião
Do amanhã-bago

Gérmen

É no coração
Do canavial
Areal húmido
Adormece o dia
Acorda a noite
Passa lenta a
Última almadia
Que te amo
E na vagem de ti
Deposito
Denso e terno
O gérmen
Do amanhã

Totais e puros

Deixa o pilão
Deixa o milho
Pára um pouco
Soergue a coluna
Dá alma aos seios
Olha para mim
Junta-te a mim
Repara sente
Somo-nos agora
A capulana
Doce biombo
Amemo-nos
Totais e puros
Nesta manhã
Tua-minha

quinta-feira, junho 22, 2006

Prazer

À pequena âncora de cada prazer
Astuta e persistente, sempre na vida,
Se agarra aquela parte de cada ser
Que só pede para não ser agredida

Teia

Sabes que entre os prazeres dos grãos de areia
Se esconde sempre, secreto e belo, o teu ser?
Eu vou lá com uma mão e me enredo na teia
Essa bela teia que és e que aceito para te ter

quarta-feira, junho 21, 2006

Em-ti

Uma lua que à força de o ser
Há-de tecer os seios da madrugada
No cacimbo doce do em-ti

Febre

Amo-te em tudo o que não és, tu sendo
Sou tudo o que és, sem entrar em teu ser
Beijo-te quando tu vens, não te tendo
Abraço-te, finalmente, sem te pertencer

Ser

Somos sempre quem desejámos viver
Não fomos nunca quem julgámos esquecer
Por vezes na vida vamos até onde está o ter
Para depois regressarmos onde está o ser

A doce linha do horizonte

Doces e trágicos, somos os cruzados do destino
Lutamos com sonhos, não precisamos de quem conte
Um dia, na ponta da saciedade, sem toca nem tino
Encostamo-nos finalmente à doce linha do horizonte

Madrugada

A madrugada está na palma da minha mão
Toma-a, sorve-a, aspira-a, ela é persistente
Mas quando o fizeres, sabe que então
Estarei dentro de ti, doce e permanente

Rio sem margens

Fecham-te a porta?
Inventa uma ponte.
Bloqueiam-te a ponte?
Defende-te com sonhos.
Agridem-te os sonhos?
Recria os seres humanos.
É isso impossível?
Torna-te deusa ou deus.
Não deixam?
Recomeça o circuito,
Sê o rio sem margens.

terça-feira, junho 20, 2006

Crisálida

Olha, sabes qual é
O segredo da crisálida?
É assim:
Nada nela é
Porque
Tudo está a ser
Fluido
Tensão
Indefinição
Espasmo
Recomeço
Tal como
rigorosamente
A minha busca
De ti

No dia

No dia em que
Tiveres sido capaz
De furtares à lógica do comum
O comum dos sentidos
Eu ter-te-ei criado
Na erecção aguda
De cada uma das
Minhas palavras

O sémen dos poemas de amor

Pega nas minhas palavras
Docemente
Sim, as sentes quentes
Túrgidas
Repara bem
Como as suas veias
Se emproam
Sim, as sentes potentes

Mas quem disse
Que as palavras
Não guardam o sémen
Dos poemas de amor?

Areal dos teus olhos

Apalpo o Zambeze com a polpa do meu prazer renovado.
A maçanica está doce, habitada pelo fim da tarde.
O canavial recosta-se, beijado pelo pende e pelo cheiro acre da queimada.
Com um indicador e um polegar de uma rigorosa mão do destino puxo docemente para cima de mim o horizonte transgressor que és, com ele me tapo.
E assim adormeço no doce areal dos teus olhos.
Algures, num mapa fluvial que apenas os espíritos conhecem, eles que guardam o rio desde sempre.

Carícia

Passo a mão assim, sente como ela te ancora, afagando docemente o ventre do que me és.

Acácias

O único silêncio que oiço é o das acácias, serenas, quentes, índicas. Nelas me deito contigo e nesta suprema vertigem das madrugadas, escrevemos o jeito das corolas que se abrem e se fecundam sem fim.

sexta-feira, junho 16, 2006

Criação

És barro
Dúctil, vivo,
fecundo
óvulo de mim
Repara
Mesmo se ainda não és
Ainda que sejas porque te crio
Repara
Modelo-te
Ponto a ponto
Nervura a nervura
Intimidade a intimidade
Órgão a órgão
Repara
Te ergo
Te insuflo alma e paixão
Instalo-me em ti
Na crista dos sonhos
Repara
Aqui estás
Rebelde ao banal
Estrangeira ao repetido
Minha completa criação
Repara agora
Púbis da vida
És-me
Sou-te
Seremos

Onda

Dizes-me que sou
A onda que te leva
Que disso sou culpado
Mas apenas eu sei
Que és tu o útero
De toda a onda
Que me encosta
Ao colo de
Cada anseio

Cópula

És a areia da praia
Sou o mar
Somos a cópula
De cada dia
Nos dias sonoros
Guardados
Nos búzios
Que encostamos
Ao ouvido
Das noites sem fim

Esculpir

Com este sonho
Te esculpo
Pétala a pétala

Nas coxas da madrugada

Quando te deitaste
E eu, tenso e incriado,
Te tirei a capulana
Estou certo de que
Sentiste como
Sentem as coxas
Da madrugada:
O arrepio entre-nós
Esse espasmo
Único e final
Afagado pelo horizonte
De ti e mim

Polpa de ti

Nesta noite de amor
Plena e futura
Ser-te-ei o pilão
Ser-me-ás o milho
E na vertigem
Braços erguidos
Encostaremos ao horizonte
A papa do amplexo
No seio túrgido
Da madrugada

Amar

Tu não amas nunca o que tens
Ou quem tens
Tu apenas podes amar o que
Um dia poderás ter
Quem poderás ter

Amar apenas tem sentido
se do sentido for
a apetência virgem
Incólume aos hábitos

Olha lá:
De que serve amar
O que já se sabe
Quem já se sabe que se ama?

Saudade

Saudade não é o que tiveste
o que um dia amaste
Saudade é o que poderás ter
e perder, perdendo-te
Saudade, esse futuro de ti

domingo, junho 11, 2006

Vida

Dizes-me: eu vivo
Sim, claro, vives
Vives como cada um de nós

Mas há apenas uma pequena coisa
Que esqueces como todos nós
É que tu, afinal, não vives
Apenas és vivida
Vivida por quem te habita
Por quem amas e odeias
Por aqueles que inventas e apagas
Nos trilhos dos teus dias
Cheios ou vazios
Pela vida que te impuseram
Pela servidões a que te obrigam

Mas dirás: mas não, sou eu
Apesar de tudo
Claro que és tu
És apenas tu no momento
E apenas nesse momento
Exacto e definitivo
Em que te fizeram e te fazem

E, vê tu, coisa banal,
Até neste poema és vivida
Por mim
Neste sorvo de ti
Sendo-te
Possuindo-te

Deixa-me

Deixa-me habitar-te
Saciado e definitivo

Espanto

Espanto-me de me espantar
Nesta rotunda tão inesperada da vida

Passamos, passais, passam

E todos os dias roçamos os dedos
Na pequena vertigem de sermos
Nos joelhos das madrugadas
Dizeis-me que sois?
Não me interessa se sois
O que eu desejaria saber
É porque quero saber

Passamos, passais, passam

Entre o que achais que sou
E o que sou achando-vos
Esgueiro-me nas ténues figuras
Que damos à vida vivendo
Dizeis-me que sabeis?
Não me interessa se sabeis
O que mesmo queria perguntar
É por que quero perguntar

Passamos, passais, passam

sábado, junho 03, 2006

Desenho

Desenho-te, exacta e sonho.