Diário de um poeta

Aqui, onde os sonhos possuem as madrugadas e seguem em frente no arrepio do destino destes poemas de amor. Fica comigo, porque estou contigo poemando-te. Se por acaso eu não estiver, sabe que sempre estou e te estou. Sou uma vertigem no-em-ti.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Pego nas manhãs

Pego nas manhãs
afago-as deito-as lentamente no teu colo
como se fossem missangas delicadas
emprestadas pela ternura
entretenho-me agora a vesti-las
com o frémito que extraí dos teus lábios
em cada uma deposito
o segredo das noites alugadas ao futuro
faço tudo como vês com aquele jeito das coisas
que estão na alma da espera

Depois de as decompor em pequenas partes de ti
doces e tácteis
e de as moldar com a cadência paciente
com que as conchas amam o mar
para a seguir as recompor
dando-lhes o sentido unificado e definitivo do possível
eis que finalmente
tas restituo no momento em que entras no meu presente

(Sempre se vai depressa quando se vai devagar)

2 Comments:

  • At domingo, novembro 05, 2006 8:43:00 da tarde, Blogger Diva said…

    Sublime...nao consigo de deixar de passar por aqui. O livro esta suave como uma brisa, nao consigo devora-lo...saboreio os poemas aos poucos...sinto-os apenas. parabens!!

     
  • At segunda-feira, novembro 06, 2006 4:50:00 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Querido poeta querido,

    Quando lanço o olhar em torno
    das manhãs em que pegas e afagas...
    envergonho-me de meus temores passados.
    Se tremi diante do vento
    que até aqui nos açoitou...
    não deveria ficar apavorada
    com a luta entre a tempestade e o oceano,
    diante da qual as palavras
    ciclone e tufão se tornam triviais
    e inexpressivas.
    Tudo em volta da manhã é negra
    como as trevas da noite eterna,
    em meio a um caos de água sem espuma.
    Mas, a cerca de uma légua,
    em cada lado deste querer teu-meu
    pode-se ver indistintamente,
    a intervalos...estupendas montanhas
    de gelo que se erguem qual torres
    para o céu desolado,
    como se fossem as muralhas do universo.
    Como eu tinha imaginado...
    uma corrente impele o amor...este estranho e louco amor...
    se é que assim se pode designar
    perfeitamente uma onda que
    rugindo e uivando pelo alvo gelo,
    reboa em direção a te...a mim...
    com velocidade igual à da queda
    vertiginosa de uma catarata.
    É evidente que corremos na direção
    de algum descobrimento excitante,
    para algum segredo que nunca será revelado...ah!...que importa isto?

     

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