Diário de um poeta

Aqui, onde os sonhos possuem as madrugadas e seguem em frente no arrepio do destino destes poemas de amor. Fica comigo, porque estou contigo poemando-te. Se por acaso eu não estiver, sabe que sempre estou e te estou. Sou uma vertigem no-em-ti.

terça-feira, maio 29, 2007

liberdade de prisioneiro

quando as algemas da vida
me prendem
em sua comezinha realidade
em sua espessa rotina
em sua alma de relógio
sempre acontece que um deus providencial
(filho perverso do horizonte e da transgressão)
me dá o jeito de escapar aos poemas
para de ti fazer as algemas que busco

por isso me alimento
desta liberdade de prisioneiro

domingo, maio 27, 2007

adeus meu rio

é quente doce
mas inexorável
a última lágrima que de mim
embarcou no último poente

(adeus meu rio)

sábado, maio 26, 2007

vem deitar-te maria

vem deitar-te maria
eu destapo as estrelas
tu tiras a capulana

na alma desta fogueira
na esteira acolhedora
purificados pela cacimba
sentiremos o nosso rio
uma vez mais
baixo-ventrando as margens
dos nossos sonhos tácteis

sexta-feira, maio 18, 2007

que culimo em ti


quando as manhãs são jovens
o seu sangue tem a frescura das gazelas
e as acácias encostam a alma ao Índico
no fresco afago de Junho
tenho por hábito transformar o sopé da espera
na cumeeira dos sonhos que culimo em ti

(por isso nunca preciso saber das sortes
enxertadas nas perguntas que faço à vida
quando as faço rolar nas conchas que não tenho)

terça-feira, maio 15, 2007

o direito

assiste-me o direito
de inventar os rios
de esculpir a chuva
de fabricar as savanas
de madrugar as impalas
de tatuar os instantes
de marijuanar o futuro

quinta-feira, maio 03, 2007

cabides do futuro


enxerto na distância
o gesto doce das madrugadas
em toda a sua perplexidade
de coisas mistas e tácteis

e por isso uma vez mais
deposito o sémen da busca
no sempre recomeçado desenho
que imprimo em cada saudade de ti

(os sonhos são os cabides onde penduro o futuro)