Diário de um poeta

Aqui, onde os sonhos possuem as madrugadas e seguem em frente no arrepio do destino destes poemas de amor. Fica comigo, porque estou contigo poemando-te. Se por acaso eu não estiver, sabe que sempre estou e te estou. Sou uma vertigem no-em-ti.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Asi soy asi me palo-pretam ("Assim sou assim me pau-pretam" em espanhol)



O poema "assim sou assim me pau-pretam" (post mais abaixo) foi traduzido para espanhol por Carmen Arrastia, a quem agradeço a gentileza. Muchas gracias!

I
soy josefina mujer-palo-negro
así soy así me palo-pretam
bien saben que estoy en todos lados
aeropuertos paseos galerías plásticos
nunca cambio nunca podré cambiar
soy cuerpo soy capulana soy sida
soy tradición soy mamana de lo inmutable

estribillo
soy josefina mujer-palo-negro
así soy así me palo-pretam

II
soy hija del cincel de un día cualquiera
soy mercancía fácil de todo el mundo
cualquier moneda me compra inmediatamente
patrono buen precio patrono compra barato
hijos produzco áfrica trago en el vientre
soy el mortero sin arrugas de cualquier foto
estoy definitiva en la sala de cualquier turista

estribillo
soy josefina mujer-palo-negro
así soy así me palo-pretam

III
nazco en cada día en una consultoría
salgo informe de montes de científicos
en los momentos más solemnes me vuelvo tesis
y me describen en mis hábitos ancestrales
y me decoran con reglas impolutas
y si de mañana me levanto tradicional
es porque de palo-negro es mi alma

estribillo
soy josefina mujer-palo-negro
así soy así me palo-pretam

IV
si visto tchuna no soy africana
si canto si salto si pongo mecha
si salgo una sólo vez del palo-negro
de falsa me visten de europea me apodan
y si por fin portugués hablo y escribo
es sólo gracias a la gentileza de este poema
porque yo josefina sólo soy naturaleza

estribillo
soy josefina mujer-palo-negro
así soy así me palo-pretam

domingo, agosto 05, 2007

Assim sou assim me pau-pretam

I
sou josefina mulher-pau-preto
assim sou assim me pau-pretam
bem sabem que estou em todo o lado
aeroportos passeios galerias plásticos
nunca mudo nunca poderei mudar
sou corpo sou capulana sou sida
sou tradição sou mamana do imutável

refrão
sou josefina mulher-pau-preto
assim sou assim me pau-pretam

II
sou filha do escopro de um dia qualquer
sou mercadoria fácil de todo o mundo
qualquer moeda me compra logo
patrão bom preço patrão compra barato
filhos produzo áfrica trago no ventre
sou o pilão sem rugas de qualquer foto
estou definitiva na sala de qualquer turista

refrão
sou josefina mulher-pau-preto
assim sou assim me pau-pretam

III
nasço em cada dia numa consultoria
saio relatório de montes de cientistas
nos momentos mais solenes viro tese
e descrevem-me em meus hábitos ancestrais
e decoram-me com regras impolutas
e se de manhã acordo tradicional
é porque de pau-preto é a minha alma

refrão
sou josefina mulher-pau-preto
assim sou assim me pau-pretam

IV
se visto tchuna não sou africana
se canto se pulo se ponho mecha
se saio uma só vez do pau-preto
de falsa vestem-me de europeia podam-me
e se por fim português falo e escrevo
é apenas graças à gentileza deste poema
porque eu josefina apenas sou natureza

refrão
sou josefina mulher-pau-preto
assim sou assim me pau-pretam

_______________________________
Esta versão não é definitiva. O poema será incluído no meu terceiro livro de poesia. E verei se pode ser musicado.
Adenda a 06/08/07: divulgado hoje no "Canal de Moçambique". Entretanto, alguém vai tentar traduzi-lo para o Changane local, enquanto aguardo que uma amiga espanhola o traduza para espanhol e que um amigo faça o mesmo para inglês. Vamos a ver no que dá.

sexta-feira, agosto 03, 2007

onde invento o Índico

Quando lanço os sonhos à terra
germina de imediato
esta forma urgente
sinestésica
de me seres o litoral
de me seres a enseada
onde ancoro o futuro
onde invento o Índico

dádiva do aleatório

lá onde estiveres neste exacto momento
ou quando os teus olhos aqui chegarem
ou quando no teu passado
eu vier definitivamente à superfície do futuro
sabe sempre que o destino das folhas
não é nem nunca foi o de caírem
das árvores malquistas
nem sequer o de balouçarem indefesas
na costas do vento destemperado
mas o de levarem à silhueta do fugaz
o direito de serem a dádiva do aleatório

Terceiro

Preparo o meu terceiro e sempre modesto livro de poesia.