Diário de um poeta

Aqui, onde os sonhos possuem as madrugadas e seguem em frente no arrepio do destino destes poemas de amor. Fica comigo, porque estou contigo poemando-te. Se por acaso eu não estiver, sabe que sempre estou e te estou. Sou uma vertigem no-em-ti.

domingo, setembro 09, 2007

por isso inventei o Zambeze

olha como faço cada dia
sento-me no areal
sento-me liquidamente
e depois digo ao rio
põe-te em movimento rio põe-te!
e ele põe-se, sempre se põe
e então lanço os sonhos à água caudalosa
descativo-os da caixa da rotina
quando o dia se desabraça da noite
e a cacimba emigra para o sol
e depois lanço-me eu
à agua quente e sensual
e persigo os sonhos
sonhos que são partes de ti
nado nado nado sem parar
mal agarro um vai o outro mais à frente
ou está não importa onde no poliedro que és
e perco-me contigo por todo o lado
e perdendo-me de mim reencontro-me em ti
e assim passo a vida a nadar procurando-te
me dirás então não me alcanças?
olha não me interessa alcançar-te
no sentido físico que me dás
alcançar-te seria não te ter
prefiro este gesto táctil de te buscar
porque é buscando-te que te tenho
é tendo-te que te sonho
é sonhando-te que te agriculto com cada grão da vida
(por isso inventei o Zambeze e o tornei prisioneiro de ti)