Diário de um poeta

Aqui, onde os sonhos possuem as madrugadas e seguem em frente no arrepio do destino destes poemas de amor. Fica comigo, porque estou contigo poemando-te. Se por acaso eu não estiver, sabe que sempre estou e te estou. Sou uma vertigem no-em-ti.

terça-feira, novembro 27, 2007

natureza sem capulana

(para a Viena)

vou contar-te o que não sei
vou dizer-te o que não senti
vou propor-te o que não pensei
vou dar-te o que não tenho

assim começa uma bela história
que nunca ouvi embora tenha ouvido
no dia em que conheci os melambes
filhos doceácidos dos embondeiros
lá pelas savanas sem fim
essas doces mães das rolas
carregava o rio o seu destino lentolíquido

vê tu agora como tropeço canhestro
em todas estas néscias palavras
em todo este bulício disfarçador
quando afinal o que apenas desejo
é nascer-te logo que a madrugada
estiver encostada aos teus seios
e os teus sentidos em riste
forem rigorosamente apenas
a natureza sem capulana

e isto porque hoje dei que o rio
corre de novo no leito do meu futuro
(qualquer rio, sou filho dos rios)