Diário de um poeta

Aqui, onde os sonhos possuem as madrugadas e seguem em frente no arrepio do destino destes poemas de amor. Fica comigo, porque estou contigo poemando-te. Se por acaso eu não estiver, sabe que sempre estou e te estou. Sou uma vertigem no-em-ti.

domingo, fevereiro 03, 2008

do serte esta doce prisão de ti

vê lá uma coisa simples e densa e final:
nada existe que não seja um cárcere
nada absolutamente nada é isento de uma prisão
uma letra um sinal um rio uma saudade
uma mão estendida um eco um capricho
tudo está dentro de algo
símbolo sentimento visão amplitude grito choro pensamento
cada coisa cada traço cada movimento cada vida
o rio entre as margens os sentimentos entre as palavras
o amor entre os actos os actos entre as pessoas
cada tudo cada nada cada resto
tudo vive na clausura de uma forma de um sentido
de uma norma de uma necessidade de um contexto
de um tempo rigoroso de um ponto final

dir-me-ás agora com a serenidade do conformismo
na jaula deste poema por entre as grades deste sentimento
que esse é o destino de tudo o que é destino ser
mas dir-te-ei eu agora por entre as grades da teimosia
que no preciso momento em que te busco
apenas um cárcere me é permitido: o de ser-te

por isso tiro as margens ao rio
por isso tiro o travessão ao serte
do rio faço este percurso até ti
do serte este doce prisão de ti