Diário de um poeta

Aqui, onde os sonhos possuem as madrugadas e seguem em frente no arrepio do destino destes poemas de amor. Fica comigo, porque estou contigo poemando-te. Se por acaso eu não estiver, sabe que sempre estou e te estou. Sou uma vertigem no-em-ti.

domingo, fevereiro 03, 2008

do serte esta doce prisão de ti

vê lá uma coisa simples e densa e final:
nada existe que não seja um cárcere
nada absolutamente nada é isento de uma prisão
uma letra um sinal um rio uma saudade
uma mão estendida um eco um capricho
tudo está dentro de algo
símbolo sentimento visão amplitude grito choro pensamento
cada coisa cada traço cada movimento cada vida
o rio entre as margens os sentimentos entre as palavras
o amor entre os actos os actos entre as pessoas
cada tudo cada nada cada resto
tudo vive na clausura de uma forma de um sentido
de uma norma de uma necessidade de um contexto
de um tempo rigoroso de um ponto final

dir-me-ás agora com a serenidade do conformismo
na jaula deste poema por entre as grades deste sentimento
que esse é o destino de tudo o que é destino ser
mas dir-te-ei eu agora por entre as grades da teimosia
que no preciso momento em que te busco
apenas um cárcere me é permitido: o de ser-te

por isso tiro as margens ao rio
por isso tiro o travessão ao serte
do rio faço este percurso até ti
do serte este doce prisão de ti

4 Comments:

  • At segunda-feira, fevereiro 04, 2008 11:59:00 da manhã, Blogger micas said…

    Belo!

    Que este cárcere do ser-te, seja sempre doce, sem margens e sem fronteiras.

     
  • At segunda-feira, fevereiro 04, 2008 6:04:00 da tarde, Blogger Ivone Soares said…

    Tirando a ponte no serte fica-se mais grudado ao cativeiro. Inquestionavelmente lindo poema.
    Ivone

     
  • At quinta-feira, fevereiro 07, 2008 10:35:00 da manhã, Blogger Vertigem said…

    Poeta dos meus sonhos,

    No cárcere do desassossego
    és punição por te ser margem
    sem limites de te ser rio em mim
    caprichos incontidos e sombrios
    de uma prisão sem revolta possivel

    Em cada traço meu uma palavra tua
    incontida e sombriamente viva
    eclipse único de te ser sempre
    cada tudo
    cada nada
    cada resto
    clausura sem forma e sem sentido
    sentimento...

    No rasto do sonho nehuma saida
    possibilidades nulas de um sempre
    o eterno amor
    a jaula dourada na dor
    o infinito momento
    o ser-te.

    Liberta-me inteira fazendo-me poente
    engole as correntes que me prendem
    a esta trama de efervescências e sentires
    queima o meu destino em fogueiras de extâse
    faz de mim teu feitiço e percurso.
    O final do horizonte:
    O SERTE!

     
  • At quinta-feira, fevereiro 14, 2008 11:01:00 da tarde, Blogger ~*Ray*~ said…

    "É estar preso por vontade..."

    O amor é belo mesmo!

    =*

     

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